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O ABANDONO UNIVERSITÁRIO DO VALE DO PIANCÓ

unnamed Nos últimos anos, a classe estudantil da Paraíba, bem como toda a sua população, recebeu com grande alegria uma boa notícia veiculada pelos diversos meios de comunicação social de nosso Estado. Refiro-me ao anúncio da implantação de diversos novos centros universitários da UFPB, UFCG, UEPB em diversas regiões da Paraíba, como é o caso da Universidade do Litoral Norte (Mamanguape – Rio Tinto), Patos, Pombal, Monteiro, Catolé do Rocha, João Pessoa, etc. Já se fala em criar um campus da UFPB em Guarabira.

Parabéns aos estudantes destas regiões que conseguiram uma oportunidade tão preciosa, que é a de ter uma universidade perto de casa. Certamente esta conquista não foi fruto da acomodação, nem de uma bênção do céu, nem tão pouco da “bondade desinteressada” de alguns políticos federais e estaduais, como, infelizmente ainda muita gente pensa. Esta conquista sim, foi resultado das lutas e das reivindicações de muitos de nossos estudantes, seus familiares, professores e lideranças comunitárias, por um direito de todos, que é o direito a educação pública e de qualidade. Foi esta uma batalha justa e uma vitória grandiosa, pois em “qualquer país do Primeiro Mundo o saber ocupa um espaço privilegiado na escala de valores da sociedade. Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra e Rússia, entre outras potências, vêem nas universidades a base para a conquista do progresso. É através dos seus mestres que a juventude alça vôos e projetam o futuro”. Digo ainda que a capacidade de desenvolvimento de uma região, de uma cidade e de um estado está diretamente relacionada aos investimentos em educação e cultura, ciência e tecnologia, bem como ao apoio e implantação de universidades e escolas agrotécnicas, em regiões pobres e subdesenvolvidas, como é o caso do Vale do Piancó, no Sertão paraibano. Pena que o Vale do Piancó, onde vive uma grande população de jovens carentes de tudo, inclusive de conhecimento e oportunidades, está abandonada no que se diz respeito à implantação de universidades públicas, bem como de escolas agrotécnicas, como os IFPB. Pergunto: Por que este esquecimento? Será que os jovens desta região não precisam ou não sonham em chegar a uma universidade? Ou será que lá tem poucos votos? Onde estão os políticos que foram eleitos com os votos do Vale do Piancó? Não que as outras regiões não necessitem e nem mereçam, mas o Vale do Piancó, hoje e uma das regiões mais carentes de tudo, inclusive de instituições de ensino superior públicas. Os jovens do Vale do Piancó, àqueles que ainda dispõem de certa coragem e incentivo de seus pais, bem como àqueles que desejam crescer em conhecimento e ter uma ascensão social, saem com muitas dificuldades, principalmente econômicas, de suas pobres cidades e famílias, e vão estudar, com muito sacrifício em universidades particulares ou públicas de regiões distantes, como Cajazeiras, Sousa, Patos, Campina Grande, Guarabira, Bananeiras, João Pessoa e até em outros Estados. A maioria dos jovens não entra nas universidades por falta de condições econômicas ou simplesmente porque não existe uma destas instituições perto de sua residência.

O Vale do Piancó precisa urgentemente de uma universidade pública, seja estadual ou federal, e escolas técnicas que, com certeza possibilitarão o seu desenvolvimento. O Vale do Piancó não precisa somente de barragens, de açudes, estradas, etc; promessas estas que chovem em cada campanha eleitoral. Digo isto porque o sertanejo não precisa somente de água e feijão para ser feliz, ele precisa de educação e cultura, emprego, trabalho e geração de renda, irrigação, agricultura e pecuária, etc.

Que bom seria se na cidade de Piancó, Itaporanga ou Conceição, cidades pólo do Vale do Piancó, fossem implantados centros universitários, públicos ou privados, escolas técnicas, centros tecnológicos, como centros de desenvolvimento cultural para ocupar os nossos jovens, com atividades que lhes possibilitassem melhores dias de vida e ascensão social. Morando no Vale do Piancó, percebo como os jovens que aqui vivem, estão sem perspectivas, sem esperança e estão, lamentavelmente, caindo no mundo das drogas, principalmente no alcoolismo, pois, de fato eles não têm outra coisa para fazer. Visitando o nosso vizinho estado de Pernambuco recentemente que cidades como Sertânia, São José do Belmonte, São José do Egito, Afagados da Ingazeira, todas tem suas escolas escolas técnicas estaduais, ou universidades públicas, propiciando avanço educacional para estas micro regiões. Nós estamos séculos atrás. Esta deveria ser a bandeira de luta de todos aqueles que sonham com um mundo melhor, justo e igualitário em oportunidades e direitos.

Esta deveria ser uma luta da classe estudantil e de seus familiares, dos professores e das lideranças comunitárias, bem como de todos os políticos que verdadeiramente estão comprometidos com os anseios do povo do Vale do Piancó e da Paraíba.

Que bom seria se Governador do Estado, o Presidente da República, os Senadores e os deputados estaduais e federais votados no Vale do Piancó e , muitos destes que somente visitam o nosso “Vale de Lágrimas e Ranger de Dentes”, às vésperas das eleições, para pedir nossos votos e fazer suas promessas vazias, se comprometessem verdadeiramente com os interesses dos mais pobres e sofredores, e no caso da nossa juventude.

Que bom seria seria se o povo aprendesse a cobrar dos seus governantes e representantes àquilo que prometeram na época de campanha, e não se conformasse somente com migalhas. Espero que eu, em breve contente, possa aplaudir uma boa ação em prol da educação superior no Vale do Piancó, bem como outros programas de desenvolvimento social e cultural. As universidades particulares também são bem vindas! Continuemos sonhando, cobrando e lutando!

FIDÉLIS MANGUEIRA
Formado em Filosofia, Teologia e Psicologia, pela UFPB.

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