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MARIA, A MÃE QUE ESCOLHE OS POBRES, SOFREDORES E EXCLUÍDOS!

Neste ano de 2017 comemoramos as aparições de Nossa Senhora de Fátima a três crianças, na Aldeia da Iria, na cidade de Fátima, em Portugal. Comemoramos também os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição, nas águas do Rio Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo.

Falando em aparições da Virgem Maria, podemos recordar também as aparições da Mãe de Jesus para uma jovenzinha, na cidade de Lourdes, na França, e também a sua aparição ao camponês Ruan Diego, nas montanhas de Guadalupe, no México.

Poderia enumerar outras aparições, mas só estas me basta para refletir com vocês o que meditei no meu coração nestes dias!

É interessante que Maria, a mãe de Jesus, sempre escolhe para aparecer, para dizer suas mensagens, a pessoas simples, humildes, pobres, do campo, muitas vezes sem voz e sem vez, podemos até assim dizer excluídas do centro das atenções, dos centros urbanos.

Nossa Senhora dificilmente aparecer para pessoas nos castelos, nos palácios, pessoas rodeadas de riquezas, de grandezas e valores materiais. Maria escolhe os simples, para abraçar, falar, acolher e estender o seu olhar e sua voz!

Parece-me que Maria age totalmente ao contrário de nós e de muitos cristãos, que em vez disso prefere ir ao encontro das pessoas que tem poder, que tem riqueza, que tem casa, que tem comida, etc.

Maria, na sua vida terrena foi exemplo de pequenez e de serviço, quando, mesmo sabendo seria mãe do Filho de Deus, não se engrandeceu e correu as pressas para colocar-se a serviço da sua parenta Izabel que estava grávida. Posso até imaginar Maria na casa de Izabel: varrendo o chão, cozinhando, lavando roupa, cuidando de tudo para que sua parenta Izabel, pudesse está bem e dar a luz seu filho João Batista.

Maria na sua vida foi toda pequenez e foi sempre ao encontro dos pequenos e excluídos, tão diferente de nós cristãos.

Fico às vezes olhando para a imagem de uma Virgem Maria que nos é apresentada nos tempos atuais: Rainha, Poderosa, Vestida com vestes esplendorosas, que nada tem a ver com aquela pobre jovem de Nazaré, que teve uma vida tão simples e de doação! Certamente Jesus aprendeu muito com sua mãe Maria e com seu Pai José. Tal filho, tal pai e mãe!

Maria é o contrário de todos nós e é o que nós devemos ser para sermos semelhantes a Deus! Se quisermos agradar a Deus, precisamos ser semelhantes a Maria, a Virgem que soube ouvir, acolher e viver plenamente a Palavra de Deus, sem querer ser tratada como Rainha, como Deusa, como poderosa, mas simplesmente como servidora do evangelho e dos pobres e sofredores!

Maria Aparece em Fátima num cenário de guerra, de falta de paz, quando um mundo entrava no consumismo, na era da industrialização e banalização das relações humanas.

E nas margens do Rio Paraíba, Maria é encontrada, num contexto de exploração, de escravidão, de humilhação dos pobres pescadores. Lá em Guadalupe, Maria aparece ao índio num contexto de morte, onde os indígenas eram excluídos de suas terras, de sua religião, de sua cultura. E Maria aparece para acolher, para abraçar, como pra dizer, conte comigo, eu estou com vocês!

Maria é o contrário de todos nós! Maria é o modelo para nós, um desafio para os cristãos de hoje e de sempre!

Enquanto nas igrejas, alguns cristãos procuram e buscam poder, Maria nos ensina a servir e a está no último lugar. Enquanto nas igrejas alguns buscam aparecer, expor-se com roupas esplendorosas e luxuosas, dos padres aos bispos, dos coroinhas aos ministros, Maria nos ensina a ser simples, a vir o amor e o serviço no anonimato! Maria, Bendita Maria!

Quando olharmos para Maria, tenhamos a certeza que ela nunca sonhou e nunca desejou ser aplaudida, louvada, idolatrada, e nem tão pouca desejou ser reconhecida como Rainha. Ela apenas quis ser a Mãe de Jesus, a ouvinte e servidora da Palavra de Deus e dos pobres, sofredores e excluídos!

Maria é a virgem que acolhe, nos seus braços a todos, como acolheu o seu filho Jesus! Quando todos excluem, Maria é aquela que acolhe com amor materno, assim como acolheu o seu filho Jesus, no momento mais difícil, quando ele era condenado e crucificado!

Aí podemos nos perguntar: quando alguém é condenado e crucificado, nós agimos como Maria, que acolhe, estende a mão, o coração, os ouvidos, ou nós também passamos a ser condenadores e crucificadores?

Maria é aquela que lá do céu, ao lado do seu Filho, olha e intercede por todos, e cuida de todos, e que se preocupa a acolhe a todos: santos e pecadores! Maria é o contrário de nós e da Igreja, que deveria ser sinal de acolhida, bondade, misericórdia e caridade!

Como estamos longe de nós, nossas igrejas, paroquias, pastorais e movimentos serem semelhantes a Jesus e Maria. Que nós cristão aprendamos com Maria a ir ao encontro de todos, os santos, os pecadores, os pobres, os ricos, crianças, os jovens, os idosos! Mas, sobretudo, que aprendamos com Maria a ir ao encontro daqueles e daqueles que são condenados e crucificados por nós, pelos nossos preconceitos, juízos, dogmas, posições religiosas, concepções filosóficas e teológicas.

O mundo, mais do que devotos e de igrejas lotadas, de santos nos altares e nas sacristias, precisa de pessoas que saibam ser acolhedoras e ser amor de verdade na vida das pessoas, e que vão ao encontro dos que estão de fora, por fora! Olhemos para Maria e sigamos seus exemplos, suas atitudes, suas ações! Enquanto não nos tornarmos acolhedores dos mais pobres e sofredores, toda nossa devoção, piedade será em vão e não passa de falsidade cristã!

 

Da redação – Fidélis Mangueira
redacao@conceicaoverdade.com.br

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