Artigos / ColunistasFidélis Mangueira

É POSSÍVEL VIVER COM O HIV, COM O PRECONCEITO NÃO!

Hoje em dia podemos encontrar em todas as esferas e grupos da sociedade pessoas que são portadoras do vírus HIV, ou seja, pessoas soropositivas. Sabe-se que com os medicamentos retro-virais uma pessoa que é soropositiva poderá viver normalmente muito bem sem o desenvolvimento da AIDS, desde que leve uma vida saudável e com acompanhamento médico. Estar com o vírus da AIDS não é estar condenado para morrer. Isto é um pensamento do passado e precisamos acabar com esta visão.

Quem estiver com o HIV também não é nem mais nem menos pecador que os outros. É uma pessoa normal, simplesmente portadora de um vírus, como se fosse um vírus de qualquer outra doença, como a doença de chagas, hepatite e outras mais. Quem é soropositivo também é filho de Deus e precisa sentir-se assim, pelo amor e acolhimento dos irmãos e irmãs. Pesquisas recentes dizem que chegará uma época em que toda família terá pelo menos uma pessoa com o vírus da AIDS.

E aí? Qual será a nossa atitude? Vamos deixar de amar alguém da nossa família, simplesmente porque ela encontra-se em tal situação? Não devemos discriminar nem os da nossa família, nem das outras famílias, ou grupos sociais: nossa missão é amar e acolher, seja lá quem for, assim como fez Jesus, Francisco de Assis, Madre Tereza de Calcutá.

Mas na verdade, muitas vezes tratamos com indiferença, discriminação e preconceitos quem estar com câncer, hepatite, cirrose, doenças de chagas, hanseníase, diabete, hipertensão, doenças cardiovasculares, etc? Os soropositivos são simplesmente pessoas que estão com um vírus, e que, com o tratamento adequado muito tardiamente chegarão a ter AIDS. Isto mesmo, pois é diferente dizer que alguém tem AIDS e dizer que alguém é soropositivo. Uma pessoa poderá viver a vida toda com o vírus HIV e nunca chegar a ter AIDS. Já temos conhecimento de que milhares de pessoas vivem muito bem com o HIV e que até passaram a viver melhor ainda, depois que descobriram que estão soropositivas, porque passaram a cuidar mais da sua saúde, a amar-se mais, etc.

Porém muitas pessoas sofrem por causa de uma outra doença, muito mais terrível e avassaladora, que é o preconceito e a discriminação. Estas doenças sim, precisa ser banida do nosso meio, das nossas comunidades, famílias, grupos e da sociedade em geral. Precisamos acabar com o medo de falar da AIDS e do HIV. Precisamos acolher e amar quem tem o vírus e quem está com AIDS. A nossa atitude deve ser a atitude de Jesus, que acolhe, ama, abraça, beija, estende a mão, ajuda a caminhar e trata com carinho e respeito. Quando agimos assim somos os verdadeiros seguidores do Cristo Jesus. O que passa disso é nossa hipocrisia.

Cotidianamente nos deparamos com crianças, jovens, adultos, homens e mulheres de todas as classes sociais, raças e credos que nos relatam a sua realidade de soropositividade e o seu medo de que alguém saiba disso, e o seu sofrimento interior. O medo não é tanto da possível doença, mas da discriminação, do preconceito e da exclusão. Se somos filhos do Deus da vida, irmãos e seguidores de Jesus precisamos acabar com esta triste realidade.

A Igreja Católica do Brasil aconselha que em todas as paróquias sejam criadas a Pastoral das DSTs/ AIDS, para cuidar da prevenção e acima de tudo do acolhimento dos soropositivos e de quem está com AIDS. Eis aí um desafio para nós cristãos dos tempos contemporâneos. Não vamos deixar que os soropositivos e aidéticos de hoje se sintam os leprosos de ontem, da época de Jesus e de São Francisco de Assis. Como estes, vamos ao encontro de todos aqueles que sofrem a discriminação, que estão angustiados e tristes. Vamos levar a alegria e a paz do Evangelho do Reino de Deus, que é salvação e acolhida.

Francisco Fidelis M. Gomes
É professor, psicólogo, formado em filosofia, teologia e psicologia pela UFPB.

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