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CASAR OU NÃO CASAR? UMA QUESTÃO DE VOCAÇÃO!

Há uma imposição da sociedade, em geral, para que todo rapaz ou moça deva se casar. Quando o rapaz ou moça está na “idade de casar” todo mundo começa a perguntar: quando é o casamento. Parece-me que a sociedade acha que somente casando uma pessoa poderá ser realmente feliz, realizar-se como pessoa, e isto não é verdade. Há pessoas que são felizes, bem realizadas, vivendo sozinhas e ainda assim, fazem um bem imenso para si e para os outros e para a humanidade em geral.

O casamento, a vida a dois, no matrimônio ou relação estável é uma questão de vocação, e não é para qualquer pessoa. É preciso ter vocação para a vida matrimonial. Há pessoas que tem vocação para o casamento e outras que não o tem. E isto precisa ser respeitado por todos, pela sociedade, pelos pais, pelos amigos, pelos companheiros de trabalho, pela comunidade, pela família! Há pessoas que somente sentem-se felizes e realizadas ao lado de outra pessoa, no casamento ou não, porém existem pessoas que vivem bem, sentem-se felizes e realizadas sozinhas, como solteiras.

Ninguém deve sentir-se obrigado a casar simplesmente porque é uma norma da sociedade, uma ordem ou costume da família ou da Igreja. Casamento é algo muito sério e somente dá certo e traz felicidade ao casal, a família, se ambos, esposo e esposa, estiverem preparados e vocacionados para a vida a dois. Quando falo em vocação falo em um chamado divino, uma vontade interior imensa. Fora disso não é vocação, é imposição.

Da mesma forma que ninguém deve ser obrigado a casar-se ninguém deve ser obrigado a viver solteiro. Isto deve ser uma escolha e orientação espontânea, interior de cada um.Todo mundo tem direito de casar ou viver solteiro. E uma pessoa que casa não é nem melhor nem pior do que uma pessoa que não casa. Da mesma forma, uma pessoa que prefere viver a vida como solteira também não é melhor nem pior do que os casados.

Conheço milhares de pessoas que se casaram, constituíram família e são exemplos de vida para sociedade e são felizes. E como é bom e maravilhoso ver isto, casais que viveram dezenas de anos juntos e são felizes, e mesmo com o passar dos anos continuam se amando, se beijando, se acariciando e querendo um imenso bem um ao outro. Mas conheço também inúmeras pessoas que se casaram e por não terem a vocação para o casamento são infelizes, fazem um ao outro infeliz, e fazem outras pessoas infelizes, como seus filhos. Maltratam-se e maltratam o companheiro ou companheira, os seus filhos e os que estão ao seu redor.  O casamento é para que o casal seja feliz, e para que cada um seja feliz e faça o outro feliz. Se alguém na relação está infeliz, triste, amargurado, não realizado, algo está errado. Deus quer que todas as pessoas sejam acima de tudo felizes, sejam no casamento ou na solteirice. É claro que numa relação a dois só haverá felicidade se houver abnegação, doação, entrega total ao outro e respeito mútuo.

Conheço também milhares de pessoas que não se casaram e são felizes e fazem um imenso bem para a sociedade, para suas famílias e para os outros. São pessoas que escolheu não se casar para dedicaram-se aos seus estudos, ao seu trabalho, a evangelização, ao serviço aos pobres e sofredores. Poderíamos lembrar aqui muitos santos e santos, artistas, cientistas, sociólogos, professores, médicos, etc. E são pessoas que não se sentem sozinhas, porque têm como companhia os outros irmãos, o serviço, a doação, a alegria de servir ao próprio, e acima de tudo a presença de Deus, da Palavra de Deus, da oração. É o caso, como já falei, de milhares de santas e santas, religiosas e religiosas, que escolheram viver na companhia dos irmãos para servir. São casados com o trabalho, com a missão, com o bem comum.

Conheço alguns jovens e adultos que vivem pressionados por seus pais, por seus irmãos,  por sua família, por seus parentes, por seus amigos e a sociedade em geral para que se casem, como se uma pessoa somente realiza-se dentro de um casamento. Há alguns pais que dizem para as moças: “Está na hora de arranjar um marido, pra não ficar pra titia”, ou para os rapazes dizem: “Está na hora de arranjar uma mulher pra cuidar das suas coisas, da sua roupa, etc.” Uma visão totalmente deturpada do casamento.

Há alguns que se casam com medo da velhice, pois dizem que do casamento vem a família, os filhos, e que estes cuidarão dos pais na velhice e na doença. Isto também não é verdade. Conheço muitos pais abandonados por seus filhos e conheço muitos filhos que internaram seus pais em asilos e os deixam lá, no esquecimento, até a morte.

O casamento é algo divino, mas não é uma imposição de Deus e não deve ser nem da Igreja, nem da família  e nem da sociedade. Os pais, bem como a Igreja, precisam ajudar aos jovens que decidem não casar a viverem esta sua vocação com responsabilidade, respeito e santidade, da mesma forma, como assim devem viver os casados. Há alguns que acham que o não casamento é um sinal de condenação. Não é. Muitas vezes é um sinal de serviço, de doação, de abraço a uma causa, a um projeto de vida.

Quero deixar bem claro aqui que sou totalmente a favor do casamento, mas de forma livre, espontânea, como algo que vem do coração, da mente e do íntimo das pessoas. Sou da opinião e de que ninguém case somente para dar satisfação a sociedade, a família, aos pais, aos amigos. Case se tem vocação e se tem amor. As pessoas devem se casar se o casamento for um caminho para a sua felicidade e para felicidade do seu companheiro ou companheira. Caso contrário não se case. Se for para viver amargurando, triste, emburrado, zangado, é melhor não casar. Casamento é para a felicidade do casal e para construção do projeto de Deus no mundo.

Jesus de Nazaré não se casou e é o maior homem e Senhor do universo. Assim como Jesus, os apóstolos, muitos santos e santas, muitos outros homens e mulheres, cientistas, artistas, professores, poetas, escritores que não se casaram, não por falta de opção, ou porque eram doentes, mas porque não se sentiram chamados a isto, e sim sentiram-se chamados a viverem de uma forma peculiar a cada um deles, de acordo com seu chamado interior.

Louvamos os que se casam e são felizes e fazem os outros, seus filhos e sua família felizes. Louvamos também os que não se casaram com uma pessoa, mas se casaram com uma causa, com a solidariedade, com a educação, com a caridade, com o meio ambiente, com a natureza, com o planeta, com o universo, com o bem do próximo. Cultivemos o respeito e o direito das pessoas. Isto é divino, isto é humano, isto é um sinal de amor entre os homens e mulheres.                                                                                                                                                                       

Fidélis Mangueira
Psicólogo, professor de psicologia, filosofia e teologia.

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