Artigos / ColunistasFidélis Mangueira

A MORTE DO RIO PIANCÓ

 Lembro-me com muitas saudades das vezes que após as fortes chuvas que caíam no sertão paraibano, eu vislumbrava, maravilhado, as cheias dos Rios Piancó e Serra Vermelha que cortam a cidade de Conceição. Inúmeras vezes fui com meus pais e meus irmãos olhar os rios cheios, lá detrás da Igreja Matriz ou lá de cima da ponte de Zé Benício, no caminho para o Bairro Nossa Senhora de Fátima. Isto faz um bom tempo. Isto aconteceu quando eu ainda era bem moleque.

Bom mesmo era tomar banho e pescar nas águas límpidas destes rios, após as cheias, quando o volume das águas diminuía. Não conto as vezes que eu, meu pai e meus irmãos, íamos, com varas de pescar ou com galões, tarrafas e landuás em busca das traíras, piabas, piaus e tilápias que eram abundantes após as cheias, nos poços que se formavam ao longo do Rio Piancó. Fomos muitas vezes pescar lá nos poços da Maria Soares, sob a guarda e o ensinamento do nosso saudoso avô materno, o Sr. Francisco de Assis de Sousa Mangueira. Ele nos deu várias de dicas de onde encontrar o pescado, e até ensinou a um dos meus irmãos a confeccionar galões para pescar. Tempos bons e saudáveis estes, que não vislumbramos mais nas margens do Piancó.

Atualmente, o Rio Piancó e o Rio Serra Vermelha não dão grandes enchentes, pelo menos no percurso por onde atravessam a cidade de Conceição. Isto porque foram construídos dois grandes açudes nas cabeceiras destes mananciais. No Rio Piancó foi construído o Açude do Condado e no Rio Serra Vermelha foi construído o Açude da Ladeira, que abastece a cidade de Conceição.
Mas o meu objetivo, com este singelo artigo, é falar da agonia que o Rio Piancó padece nos dias atuais. Aliás, esta agonia já vem de longos tempos atrás quando se começou o desmatamento de suas margens. E esta agonia se agravou drasticamente com o despejo, sem controle dos esgotos de todas as cidades que compõem o chamado Vale do Piancó. Como é triste ver o nosso Velho Piancó poluído, sem peixe, sem água, cheio de lixo e esgotos. Uma verdadeira agonia.

Podemos dizer que o Rio Piancó ou já morreu ou está morrendo. De Conceição a Paulista, todas estas cidades jogam seus esgotos no leito do Rio Piancó, sem nenhum tratamento. Vale a pena enumerar as cidades que o Rio Piancó corta, começando por Conceição, Diamante, Boa Ventura, Itaporanga, Piancó, Coremas, Pombal, Paulista, etc. Sem contar os esgotos que são jogados nos seus afluentes, que acabam por desaguar no leito do Piancó. É bom lembrar que a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba, a dona GAGEPA, cobra em nossas contas mensais um taxa para tratamento de esgoto. Mas que tratamento de esgoto? Alguém conhece alguma estação de tratamento de esgoto em alguma cidade do Vale do Piancó. Se alguém souber onde existe alguma, por favor, me avise.

Creio que está mais que na hora dos nossos vereadores, prefeitos e deputados da região do Vale do Piancó olharem com mais carinho para nosso pobre Rio Piancó e formarem uma corrente em defesa do nosso rio. Vamos cobrar, dos nossos governantes, ações concretas que salvem o Rio Piancó. É urgente a implantação de estações de tratamento em todas as cidades do Vale, bem como o plantio de árvores em todas as margens deste rio, como manda o Código de Reflorestamento Nacional. Vamos cobrar da dona GAGEPA que invista os recursos das taxas arrecadadas para construção de estações de tratamento de esgoto. Pedimos também a ação efetiva do Ministério Público Estadual, em defesa do Rio Piancó. Vamos agir, antes que seja tarde. Vamos agir, e assim ressuscitar o Rio de nossas vidas, de nosso passado e do nosso presente. Salvemos o Rio Piancó!

Fidélis Mangueira

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